26º dia – De Pucón, Chile a Santiago, Chile

Logo cedo pegamos a estrada em direção a Santiago. No caminho passamos por Villarrica, uma cidade que leva o mesmo nome do Vulcão Villarrica.

Foi uma viagem tranquila. As estradas do Chile são excelentes. Chegamos no final da tarde e nos hospedamos no Hostel La Casa Roja, no bairro chamado Brasil. A casa é bem antiga, com portas de 3 metros da altura e pé direito de uns 4 metros. Tudo de madeira numa decoração do começo do século passado.

Santiago é uma metrópole cercada pelos Andes. Chegando próximo da cidade é possível ver a poluição no ar que até dificulta a visão dos Andes para quem está na cidade. Mas é uma cidade bonita cercada de vinícolas da Rota do Vinho.

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25º dia – Reveillon em Pucón, Chile

Passar o último dia do ano escalando um vulcão já foi algo inédito em nossas vidas. Dormimos um pouco para tentar aproveitar o Reveillon de Pucón.

A Francheska, do Hostel, organizou uma mini ceia com churrasco preparado por um francês, Alexis, que mora no Chile.

Na mesa havia gente de 6 países: Brasil, Chile, França, Russia, Israel e Austrália.

Depois do jantar pegamos nossas garrafas de Champagne (um espumante na realidade) e fomos para a “praia” de Pucón. Lá houve a contagem regressiva, nos abraçamos e rimos. Toda a cidade estava lá. Não havia espaço para mais ninguém. A população se amontoava até nos telhados das casas, invadiram os hotéis da orla em busca da melhor visão dos fogos.

Nós 4 voltamos para o Hostel e capotamos. A subida ao vulcão havia exaurido nossas forças. Os demais hóspedes ainda foram para as diversas baladas que havia na cidade. A mais famosa chamada de Morena e haviam outras como a Fire. Mas dispensamos, ainda tínhamos que viajar a Santiago no dia seguinte, 700km dali.

24º dia – subida ao Vulcão Villarrica em Pucón, Chile

Nos encontramos as 7 da manhã na agência de aventuras Araucana. Para nossa surpresa, dos 12 integrantes do grupo 80% eram brasileiros. Um do México, um argentino e demais chilenos.

Recebemos nosso equipamento:

– mochila

– crampon (ganchos para se colocar nas botas para andar no gelo)

– luvas

– balaclava

– anorak contra o vento

– botas

– polainas

– proteção para fazer o “ski-bunda”

– piolet (uma espécie de machadinha)

Além disso levamos nossa equipagem pessoal:

– 2 litros de água

– sanduíches, chocolates

– roupas de frio

– calças para caminhada

– óculos de sol

– protetor solar e labial

– meias grossas

Ia levar mais agasalho, mas fui informado de que não precisaria de agasalhos pesados, o tempo estaria bom.

Fomos num caminhão que nos levou até um teleférico do vulcão, que durante o inverno funciona uma estação de ski. O teleférico fica desativado, então tivemos que caminhar.

A medida que estávamos chegando perto do vulcão íamos tendo a verdadeira dimensão do Villarrica. É enorme. Possui 2847 metros de altura.

Começamos a subir a primeira parte, que coincide com o final do teleférico. É uma parte sem neve, mas ingreme e com o terreno bem irregular. Foram uns 45 minutos até a primeira parada e já deu para sentir a dificuldade que seria para subir. O coração já dispara e você começa a sentir calor, apesar do frio e do vento. Fui com um moleton e uma camiseta por baixo e estava com calor.

Depois disso começamos a subir pela neve. Mas antes disso nosso guia nos dá as instruções: “Andar na neve pode ser perigoso. Se você escorregar, vai começar a deslizar pela neve. Por isso é muito importante não largar o piolet. Segurando com as duas mão use-o para brecar quando estiver deslizando.”

Era tudo o que todo mundo queria saber… Se a intenção era criar pânico, conseguiu.

Podemos dizer que é mais fácil caminhar na neve. Com as caminhadas formam-se escadas, o que facilita a caminhada. Mas nem tirei muito os olhos dos pés com medo de deslizar. Há horas em que você nem sente mais as pernas. Há horas que você acha que irá desmaiar. Ás vezes, uma paradinha de 10 segundos já faz muita diferença.

No total são 3 paradas de 15 minutos e alguns de 2 minutos. A medida que você caminha e olha para trás você em a verdadeira noção de quanto já caminhou. Depois de uma hora e meia caminhando já é quase impossível avistar o caminhão que viemos.

Como fazia frio e ventava muito nosso guia nos instruiu a não fazermos paradas longas porque os músculos da perna logo se esfriam fazendo a trekking ainda mais difícil.

Usamos bastante o piolet para nos apoiarmos na neve e usarmos como um terceiro braço. Há trechos em que a angulação da subida chega a 60 graus de inclinação.

Enfim, 5 horas depois chegamos ao cume do Vulcão Villarrica.

Todos que chegam lá em cima ficam extasiados. Em silêncio por alguns momentos. Talvez refletindo sobre o que acabaram de fazer. Uma sensação de conquista.

É bem alto e o visual 360º lá de cima impressiona. Você avistará outros vulcões em volta. Você avistará também os rastros de rios de lava formados em 1984 quando houve a última erupção. Infelizmente não está sendo possível avistar lava, mas há 2 anos atrás era possível. Você pode escutar as lavas. O barulho se parece com um trovão. Fiquei imaginando o barulho que o vulcão deve fazer quando está ativo. O que incomoda muito é o cheiro de enxofre que queima a garganta e olhos como se fosse gás lacrimogênio.

A descida é outra aventura. São mais ou menos 2 horas de descida. Como a descida é mais dificil devido a angulação do vulcão há uma forma mais fácil e divertida. É o famoso Ski bunda. Toda a parte de neve que subimos é possível descer deslizando. Mochila nas costas e piolet nas mãos e começamos a deslizar. A sensação é de estar num Bobsled. Em alguns momentos é bem rápido e chegamos a sair do chão. O segredo para ir rápido é deixar as pernas juntas e no ar. No final você fica com neve até naquele lugar e os pés cheios de água. A descida pela parte de terra é mais complicada. Descemos por uma parte de terra fofa e íngreme fazendo a descida penosa também.

Ficamos esgotados. Os músculos fatigados e doloridos. Mas a sensação é muito boa. Não dá para acreditar que subimos aquilo tudo. Valeu muito a pena.

Video promocional de um DVD que estava no hostel. Acabei ripando e jogando no Youtube.

23º dia – Em Pucon, Chile

Este dia foi um dia para descanso. Fomos conhecer melhor a cidade. É uma cidade que vive do turismo. Todas as fachadas são de madeira dando um ar bem simpático a cidade.

Fomos conhecer a orla da cidade, onde há um lago chamado Villarica. Há uma praia também.

A noite fomos com um casal de australianos para as Termas Los Posones. As termas ficam a 40 minutos de Pucón. As águas chegam a 45º C dependendo do local da terma. As águas são aquecidas naturalmente. Para quem for é bom levar comidas e bebidas porque os locais são desprovidos de estrutura. A noite, leve uma lanterna. As termas ficam abertas até as 4 da manhã e depois das 8 da noite os preços são mais caros. Pagamos CLP 5 mil ou R$ 20 para entrar.

Voltamos tarde, comprometendo nosso sono para a subida ao vulcão Villarica no dia seguinte.