19º dia – De Puerto Tranquilo, Chile a Coihayque, Chile

Por Alex

Voltamos a pegar a estrada Carretera Austral, admirando as belas paisagens que ela proporciona.

Nossa próxima parada foi em Coihayque. É um lugar ótimo para fazer uma parada. A cidade já é maior, deve ter seus 20 mil habitantes, tem um calçadão simpático com lojinhas de souvenir, tem uma praça bonita, a Plaza de las Armas.

Como todos os hostels estavam lotados (não sei porque), buscamos por Hospedajes (espécie de pensão), mas nada animadores. Acabamos achando as famosas Cabañas, que nada mais são que chalés que você aluga e tem cozinha, quartos, banheiro, calefação. Bem arrumado e pelo mesmo preço das Hospedajes. Para nós que havíamos acabado de acampar e dormir no carro, aquilo foi um paraíso.

Fizemos uma compra rápida num supermercado local, compramos vinho a preços de banana, algo como R$ 5 por 1,5lt de vinho. Fizemos nosso jantar e ficamos conversando ao lado da calefação a lenha, bebendo vinho, comendo queijo com pães. Foi nossa ceia de Natal atrasada. Foi um momento agradável relembrando as coisas boas de nossa viagem e o quanto nós já havíamos visto e feito. Ah, e o vinho foi em xícaras mesmo, sem o glamour de taças de cristal porque não tínhamos.

Estes momentos são bons para dar um reestabelecida em nossa viagem. Ficar num lugar privado é bom para tomar um bom banho, rearrumar as malas, lavar algumas roupas sujas, cortar as unhas. É o equivalente a dar um “defrag” ou desfragmentar o HD de um PC.

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19º dia – Em Puerto Tranquilo, Chile

Por Alex

Apesar do vento forte dormimos bem. Eu e o Kuroda dormimos numa barraca. O Toni e o Robert’s decidiram dormir no carro. Eu preciso dormir na horizontal. Fazia muito frio e foi bom para testar o saco de dormir megapower que havia comprado. Funcionou bem. Resistiu bem ao frio de mais ou menos 7 graus da madrugada com ventos de 70 km/h.

Ao acordar tivemos um belo cenário do lago General Carrera formado por degelo e os Andes ao fundo. Uma cena linda.

Ajeitamos nossas coisas no carro e fomos para o vilarejo. Lá tomamos nosso café da manhã e experimentei o bolo deles, que chamam de “queque”. Será uma derivação da palavra inglesa “cake”. É visível muitas influências inglesas no Chile. Desde nomes de rios, ruas, etc, como O’Higgins, Simpson, Robert, Baker , Grey e por aí vai.

Ventava demais. Era possível ver os jatos de areia e poeira que se levantavam do chão com a força do vento.

Puerto Tranquilo é conhecida pelas Capilla de Mármol, ou capelas de mármore. As “capelas” na realidade são formações rochosas nas pedras frutos de erosão fluvial. Com a força do vento e das águas formam-se grutas nas pedras criando belas esculturas.

Para ir até lá é obrigatório ir de lancha, não tem como chegar de carro ou a pé. Ao preço de CLP 4500 por pessoa (R$ 20) fomos fazer o passeio de uma hora e meia.

A emoção já começou na ida. Um vento que produzia ondas de um metro num lago!! O nosso advogado Roberts já começava a reclamar que não havíamos assinado nenhum seguro, nenhum termo de responsabilidade, etc. Já comecei a desenhar na minha mente a rota de fuga caso a lancha virasse. Mas com o frio e a água gelada acho que eu agüentaria mais que 15 minutos nadando até começar a sentir os sintomas da hipotermia. O piloto da lancha fazia diversas manobras para fugir das ondas e para não entrar água. Mal a gente sabia que a volta seria pior com o vento contra.

Chegamos às Capillas. Realmente as pedras esculpidas pela erosão fluvial são bonitas e bem raras de se ver. Algumas rochas parecem que irão cair a qualquer momento por causa da base fina que acaba se formando. Ao entrarmos de lancha nas grutas percebemos que as paredes são de mármore e parecem haver sido esculpidas a mão.

Na volta à terra firme mais ondas, desta vez maiores com 2 metros vindo contra nós. A proa empinava nas ondas e despencava nas águas com muita força. Fiquei do lado direito da lancha e boa parte da água que espirrava vinha em mim. Tentei me proteger inicialmente, mas depois desisti.

No final das contas, eu, Roberts e Toni pegamos uma gripe depois de algumas horas. Dor de garganta, rinite, febre leve e corpo dolorido. Foi a primeira vez que ficamos doentes nessa viagem. Para piorar pegamos muita estrada de rípio (cascalhos) e a poeira que inalamos agravou nosso quadro. Faz parte. Me dopei com Resfenol e apaguei no carro.

18º dia – De El Calafate, Argentina a Puerto Tranquilo, Chile

Por Alex

Saímos de El Calafate pensando em chegar em Coihaique no Chile. Estávamos ansiosos para pegar a famosa Carretera Austral no Chile. Mais estradas de rípio. Chegamos na aduana Argentina para carimbar nossa saída e por pouco não conseguimos fazê-lo devido ao horário. Fechava as 21h e chegamos as 20h30. Quando perguntamos ao oficial que estava na aduana o por quê das aduanas fecharem depois das 21h, e ele nos disse “Ninguém é louco de passar por estas estradas a noite.” hahaha, só a gente mesmo. Imagine um lugar totalmente inóspito. Sem SOS nas estradas de cascalho, sem cruzar com nenhum carro, sem ver nenhuma fazenda. Você apenas avista os guanacos, as ovelhas, as vacas, os cavalos selvagens e várias lebres cruzando perigosamente a estrada. Só. Se o carro quebrasse nada de socorro até o dia seguinte. Ventava tanto que seria impossível armarmos nossas barracas. São ventos de 70 a 100 km/h e muita poeira.

Nesta altura já tínhamos desistido de ir a Coihayque. Decidimos parar em Puerto Tranquilo, já pegando a Ruta 7, mas conhecida como Carretera Austral. De dia esta via já é complicada. A noite a coisa piora. Vários trechos com curvas fechadas e pista bem escorregadia por causa das pedras. A média de velocidade a noite é de 40 km/h. Com muita fome e cansados não encontramos nenhum lugar para nos hospedar Puerto Tranquilo. Ventava muito e na verdade era um povoado de umas 500 pessoas. Só se ouvia os latidos dos cães, incomodados com o barulho do motor a díesel da Pajero. Achamos um camping. Ventava demais no camping. A sorte é que havia barreiras de madeira para proteger as barracas do vento. Fizemos nosso jantar e dormimos, finalmente.