Folha fez reportagem sobre a Patagônia

O jornal Folha de São Paulo trouxe nesta 5a-feira, dia 10/09/09, um caderno especial sobre a Patagônia, dando destaque para Puerto Madryn, Península Valdez, Punta Tombo e outros lugares por onde passamos.

Abaixo alguns links das reportagens:
Esquel une reservas naturais e estação de esqui em região andina
Península Valdés é importante santuário natural na Argentina
Tons de marrom da estepe patagônica colorem Chubut, na Argentina

A versão impressa está bem mais completa com várias fotos. Há uma versão mais completa online, porém, somente para assinantes. Para quebrar o galho de todos os viajantes que leem este blog, fiz o famoso Copy and Paste. Se é legal ou não eu não sei, mas como é uma informação útil e informação últil deve ser compartilhada aí vai!

Tons de marrom da estepe patagônica colorem Chubut
Ladeada pela cordilheira dos Andes, região é admirada, entre outros pontos, por sua diversificada fauna

PEDRO CARRILHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Não tão perto do “fim do mundo” como Ushuaia, e quase tão acessível quanto Bariloche, a Província de Chubut -onde o rio Chubut corre 820 km dos Andes até desaguar no Atlântico, em Rawson- é uma Patagônia argentina condensada.
A paisagem mais típica dessa parte da Patagônia Central é a estepe, com seus tons marrons e amarelados e vegetação rasteira. Mas é em seus extremos geográficos que Chubut apresenta seus grandes atrativos.
De um lado, a fauna marinha, admirada por turistas em suas praias, falésias e passeios de barco, principalmente na reserva natural da península Valdés. Do outro, a beleza da cordilheira dos Andes, além da possibilidade de esquiar na estação de La Hoya, vizinha à cidade de Esquel.
Tão presente numa viagem a Chubut quanto os dotes naturais da Província, a herança cultural dos galeses é uma referência. No final do século 19, eles cruzaram o Atlântico e fundaram cidades como Gaiman, Dolavon e Trevelin. Hoje, seus descendentes tentam manter as tradições acesas, mais visivelmente nas inúmeras casas de chá espalhadas pelas cidades da Província.
O repórter-fotográfico PEDRO CARRILHO viajou a convite do governo da Província de Chubut.

FIQUE ATENTO
Leia algumas dicas para turistas, segundo o governo local
1. Não se esqueça de levar água potável quando deixar o hotel
2. Evite causar incêndios apagando bem as bitucas de cigarro e jogando-as no lixo; lembre-se de que a vegetação pega fogo com facilidade
3. Se você alugar um carro, coloque combustível sempre que passar por um posto, pois as distâncias em Chubut são grandes
4. Mesmo nos meses de calor, leve gorro e um casaco pesado. Na Patagônia, as temperaturas costumam ser extremas: faz calor de dia e frio à noite
Fonte: Governo da Província de Chubut (www.chubut.gov.ar)

Museu em Trelew guarda até ossadas de dinossauros
As cidades mais conhecidas do vale são as pacatas Gaiman e Dolavon, fundadas por galeses no século 19

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Maior cidade da Província, mas afastada da orla, Trelew fica a 65 km de Puerto Madryn e é porta de entrada para Chubut, com seu aeroporto internacional.
A cidade em si, apesar de agradável, não tem grandes atrações. A exceção é o museu Egidio Ferruglio, mais conhecido pela sigla MEF (www.mef.org.ar/mef/), um dos mais importantes museus paleontológicos da América do Sul.
Suas salas são organizadas em ordem cronológica, das eras mais recentes até as mais remotas, com exemplares de fósseis e ossadas dos dinossauros que viveram na região.
Já no baixo vale do rio Chubut fica o parque paleontológico Bryn Gwyn. Caminhar pela trilha do parque em meio a formações geológicas é um complemento perfeito.
Mas o vale do Chubut é mais conhecido pelas pacatas cidades de Gaiman e Dolavon, fundadas por imigrantes galeses no fim do século 19. O rio Chubut foi importante para o assentamento dos pioneiros e para a agricultura e economia, sendo o único rio que quebra a aridez da estepe patagônica.
As tradições galesas são mais visíveis nas casas de chá. Uma dessas é a Ty Nain, que abriga um pequeno museu, cuidado com muito esmero por Ruben Ferrari e sua mulher.
Outra casa de chá, mais pomposa, é a Ty Te Caerdydd. Seu trunfo é a visita que a Lady Di fez em 1995. Há retratos da princesa nos salões e os objetos que ela utilizou, como xícara suja, colheres e até o resto de chá que ela não bebeu.
Além das casas de chá, outras construções fazem parte do roteiro do vale, como capelas, chácaras, um moinho de farinha (Antiguo Molino Harinero, hoje um restaurante) e a primeira casa de Gaiman, preservada e aberta aos visitantes.
(PEDRO CARRILHO)

CONTRASTE
Paisagem do parque nacional Los Alerces (www.parquesnacionales.gov.ar), área protegida fundada em 1937 na região da cordilheira dos Andes, na Província de Chubut; chega-se ao parque, que fica na fronteira com o Chile, pela cidade de Esquel

PACOTES

COM AÉREO; PREÇO POR PESSOA EM QUARTO DUPLO,
A partir de R$ 2.437
Sete noites em Puerto Madryn e el Calafate. Valor sujeito a alteração e variação do dólar. Na Agaxtur (0/xx/11/3067-0900; http://www.agaxtur.com.br), Na Tam Viagens (0/xx/11/3274-1313; http://www.tamviagens.com.br), na Marsans (0/xx/11/2163-6800; http://www.marsans.com.br), na Flot (0/xx/11/4504-4544; http://www.flot.com.br), na Nascimento (0/xx/11/3156-9944; http://www.nascimento.com.br), na Ambiental (0/xx/11/3818-4600; http://www.ambiental.tur.br), na Fenix (0/xx/11/3120-7200; http://www.fenixtur.com.br), na Soft Travel (0/xx/11/3017-9999; http://www.softtravel.com.br) e na Ancoradouro (0/xx/19/ 2137-3000).

US$ 2.500
Pacote de quatro noites no Lago Wilderness Resort, com café da manhã. Inclui locação de carro. Na Tereza Ferrari: 0/xx/11/ 3021-1699; http://www.terezaferrariviagens.com.br.

US$ 837
Sete noites na Hostería El Coiron, em Esquel, com café da manhã. Inclui seis dias de uso ilimitado dos meios de elevação e seis dias de traslados regulares ao Cerro. Na Maktour: 0/xx/11/3818-2222; http://www.maktour.com.br.

US$ 999
São quatro noites- três em Puerto Madryn e uma em Buenos Aires- com café da manhã. Inclui tour pela península Valdés. Na Venice: 0/xx/ 11/3062-4499; http://www.veniceturismo.com.br.

Personagem de Valdés toca gaita para as orcas
O argentino Roberto Bubas ficou mundialmente famoso por sua interação com os cetáceos de Chubut

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Desde cedo Roberto Bubas, 38, foi um amante da natureza. Guarda-parque (ou guarda-fauna) da península Valdés desde 1992, Bubas ficou famoso mundialmente por sua interação com as orcas da região.
Quando criança, o argentino, nascido em Esquel, tinha como ídolo o explorador francês Jacques Cousteau. Para sua decepção, o francês morreu antes que eles fossem apresentados. “Sei que ele sabia da minha existência e até que queria me conhecer”, disse Bubas à Folha.
Para quem se assusta com a proximidade que ele chega dos animais, Bubas faz questão de ressaltar que há apenas um caso de ataque de orcas a humanos registrado. E, segundo ele, não foi fatal. Bubas acredita que o ataque teria sido um erro da orca, que confundiu um surfista com um animal marinho.
É possível ver algumas cenas da interação de Bubas com as orcas em vídeos na internet. Em um deles, o guarda-parque aparece tocando gaita para elas. “São animais curiosos. Elas que buscam a interação.”
Segundo Bubas, a matança indiscriminada de lobos-marinhos no início do século 20 fez com que as orcas se aproximassem da costa em busca de alimentos, até desenvolverem sua técnica de ataque nas areias da península. A técnica, chamada de “varamiento intencional”, é exclusiva das orcas locais.
Bubas lembra com carinho do dia em que a orca Agustin (tema de um de seus seis livros publicados, “Agustin Corazonabierto”) preparou-lhe uma surpresa: “Ela se aproximou de mim com uma alga presa na nadadeira dorsal”, conta.
Na primeira tentativa, Bubas não conseguiu alcançar a alga. “Ela foi então até o fundo, voltou e deixou a alga na água, à altura do meu peito. São animais muito solidários”. Notável, a história de Bubas deve dar origem a um longa-metragem espanhol. (PEDRO CARRILHO)

Península é importante santuário natural
Na área, diversidade animal é tão imensa quanto possibilidade de observar de perto animais patagônicos

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Destino ainda pouco conhecido por brasileiros que rumam ao país vizinho, a península Valdés já é reconhecida mundialmente como um santuário natural de primeira categoria e de suma importância não apenas para o ecossistema local, mas também para a economia dessa região da Argentina.
A principal base turística para visita ao litoral chubutense é a costeira Puerto Madryn, a 60 km do aeroporto de Trelew, cidade agradável, com boas opções de hotéis e restaurantes.
Ao sul de Madryn fica o EcoCentro (www.ecocentro.org.ar), que tem como objetivo promover por meio “da educação, ciência e arte a necessidade de se pensar uma nova relação com o oceano”.
Na entrada, há um poema de Jorge Luis Borges (1899-1986) sobre o mar. No seu interior, há mostras sobre a fauna marinha. Das janelas de sua torre se admira o Golfo Novo.
Próximo do centro de Madryn, o Museu do Mar e do Homem conta a história dos primeiros habitantes e da fauna locais – com destaque para a lula-gigante.
O grande chamariz, no entanto, é a possibilidade de observar de perto a fauna marinha patagônica. E o melhor lugar para esse encontro é a enorme península Valdés, reserva declarada patrimônio natural mundial pela Unesco em 1999 e que serve de área de reprodução para diversas espécies de mamíferos marinhos.
Entre junho e dezembro, saem passeios de barco do pequeno vilarejo de Puerto Pirámides para a observação das baleias-francas-austrais, vistas em grande número.
As areias e céus da península também são frequentadas por uma variedade de espécies. Em Punta Cantor e nas falésias de Punta Delgada existem colônias de elefantes-marinhos.
Já os lobos-marinhos de Punta Norte vivem meses de angústia durante a temporada das orcas, entre setembro e abril. As famosas cenas exibidas exaustivamente em documentários sobre a vida selvagem, nas quais orcas sobem até a praia para atacar indefesos filhotes de lobos-marinhos, são exclusiva da península Valdés -em nenhuma outra parte as orcas desenvolveram tal estratégia de ataque.
Ao cruzar as longas estradas de terra em direção ao mar, a vegetação, rasteira, facilita a observação de guanacos, maras, zorros e choiques, respectivamente parentes das lhamas, lebres, raposas e avestruzes.
Chega-se à península pelo do istmo Ameghino, espremido entre dois golfos, a cerca de 65 km de Puerto Madryn, onde fica o centro de visitantes.
Mais próxima de Puerto Madryn fica a praia protegida de El Doradillo. Acordar cedo e enfrentar o vento gelado é a receita para ver as baleias à luz do amanhecer, desta vez da própria areia, ao lado de pinguins e lobos-marinhos.
Já ao sul de Madryn fica Rawson, capital da Província e cidade portuária próxima ao estuário do rio Chubut. Não há muito além do porto, seus coloridos barcos pesqueiros e a praia Union, frequentada no verão, quando as temperaturas sobem. É desse local que saem barcos para a observação dos golfinhos-de-commerson, conhecidos nessa região como “toninas”. (PEDRO CARRILHO)

Colônia de pinguins é a maior do mundo
Chegada dos animais à costa da Província de Chubut é transmitida durante 72 horas ao vivo pela internet

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Bem ao sul de Chubut, chega-se à área protegida de Punta Tombo, considerada a maior colônia de pinguins-de-magalhães no mundo. Na alta temporada, entre setembro e abril, mais de um milhão das simpáticas aves tomam conta da orla.
Os pinguins da região, aliás, protagonizam uma interessante forma de “turismo digital”: desde 2006, imagens da chegada dos pinguins à costa da Província de Chubut são transmitidas durante 72 horas ininterruptas de streaming ao vivo para a internet.
A cada amanhecer e fim de tarde o céu da Patagônia também dá seu espetáculo. Sorte de quem visita a região durante os meses de inverno e pode acordar mais tarde, tomar o café da manhã tranquilo e caminhar até a orla a tempo de observar os primeiros raios de luz apenas começando a tingir o céu de tons berrantes. O pôr do sol é igualmente espetacular, acrescido de formações nebulosas desnorteantes. (PEDRO CARRILHO)

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10º dia – Puerto Pirámides a Puerto Madryn a Punta Tombo a Comodoro Rivadavia a Caleta Olivia, Argentina

Por Toni

Acordamos tranquilos e sem pressa. Felizmente o Sol não bateu diretamente em nossas barracas aproveitando a sombra da mata nativa e a brisa gelada do atlântico que refrescava a manhã. Até agora nenhum dia de chuva ! Após arrumarmos toda a bagagem abastecemos no posto da própria cidade e enchemos o galão extra aproveitando o combustivel barato, $AR 2,04 o litro de diesel. Uma forma do governo argentino incentivar a migração para áreas pouco povoadas é subsidiando o combustível. Puerto Piramides por exemplo é uma vila de 300 habitantes com praticamente duas ruas: a que desce até a praia e a paralela a mesma. Com a paisagem cada vez mais desértica os postos de combustivéis estão ficando cada vez mais raros. Os postos se encontram praticamente somente nas entradas das cidades.

Na saída de Puerto Piramides, em frente ao Hostel, demos carona a uma espanhola muito simpática: Davinia. Mesmo com o carro lotado, colocamos sua mochila adentro e partimos a Puerto Madryn aonde ela iria rumo a Cordoba. Trocamos idéia sobre música, brasil, espanha, viagens, siesta… Esse intercambio cultural é um dos maiores presentes de toda a viagem. Por todas minhas trips até hoje sempre encontrei viajantes independentes com a mente aberta, flexíveis a novas idéias, aberto a novas culturas e super amigáveis. Almoçamos juntos e pela outra vez: Milanesa com Papas. Um beijo e um abraço bem apertado, nos despedimos e ela nos prometeu uma visita a São Paulo.

Pela primeira vez pegamos a famosa estrada de rípio para chegar na reserva de Punta Tombo. Pagamos $AR 35 pesos para ingressar no parque. Logo na entrada já fomos surpreendidos por pinguins. Surpreendente, impressionante e surreal. Ficamos em contato direto com os pinguins e os guanacos. Lado a lado diretamente em seu habitat natural. Após uma pequena caminhada chegamos ao topo da enconsta aonde podia se avistar a praia com centenas ou talvez milhares de pinguins. Apesar da exploração humana cada vez mais agressiva sob a natureza ainda existem lugares preservados e que o homem ainda não destruiu. Um detalhe do passeio foi o Kuroda tentando domesticar os pinguins fazendo carinho neles. Por vezes pegava uma pedra na mão e ficavamos com medo de que fosse atacar nelas…rs, na saída levou uma advertência de uma chica muy linda: Queres passar la mano en los pinguinos ? Kuroda: “No, no no ! He, he he !”

Na estrada o interessante é observar a mudança de paisagem gradual. A temperatura caindo com o Sol se pondo depois das 22pm, com variações gigantescas. Animais selvagens sempre cruzarão o seu caminho, ovelhas, cavalos e principalmente os guanacos estarão na beira da estrada. Lembre-se nós que invadimos o seu espaço, portanto: CEDA EL PASO e tenha muita precaução principalmente a noite. Nunca pare o caro totalmente para tirar fotos, os argentinos pisam fundo. No caminho para Puerto Pyramides o Okazaki viu um Corsa capotado. Para nossa surpresa o acidente havia ocorrido no dia anterior pelas mesmas causas citadas acima.

Hoje viajamos sem muitos planejamentos. Sem reservas e sem destino certo para ficar. Do jeito que eu gosto, viagem estilo Easy Rider. Pé na estrada e partimos rumo ao sul. Pegando a Ruta 3, as 11pm chegamos em Comodoro Rivadavia, cidade petrolifera responsavel por 30% do fornecimento de todo combustivel do país. Da estrada se podem avistar os poços de petróleo e as bombas em funcionamento. De cara a cidade não nos agradou. Entramos pelo morro, aonde ruas e becos mal iluminados não nos deram as boas vindas. Procuramos um hostel e não achamos. O que se intitulava Hostel Las Gaivotas nos queria cobrar a ignorância de mais de $AR 500 pesos (4 pessoas). Não percam tempo ! Procurando por hospedagem no centro, vasculhamos todos os hotéis e pensões e a grande maioria sem vagas ou caros.

Perguntei a um recepcionista de um hotel qual a cidade mais próxima e era Caleta Olivia. Na hora lembrei o nome recomendado por um motorista de uma excursão que conhecemos no passeio de barco no dia anterior. Paramos em um sujinho frequentado por caminhoneiros gordos e peludos e outros cabeludos e mal encarados. Como não havia cardápio aguardamos pela senhora nos atender. Concluímos que não valeria o custo benefício, comida cara e lugar sujo.

Assumi a direção e partimos a Caleta. Chegando na cidade, uma surpresa. Todas as indicações e placas nos levaram ao Hotel Robert. Em homenagem ao nosso querido Robertinho nos hospedamos por lá mesmo. Só havia um quarto para 3 pessoas disponivel, um teria que dormir no chão. Tiramos 2 ou 1. Sobrou eu e o Kuroda. TIramos par ou ímpar. Me ferrei ! Por sorte o Okazaki descobriu que havia um colchão extra sobre a cama de molas. Muito bonzinho ele colocou o colchão no chão e cedeu a cama. Com dó, Kuroda também se ofereceu e me deu seu travesseiro. Roberts também se sentiu comovido e perguntou se podia fazer algo. Camaradagem ! Dormi bem!