Folha fez reportagem sobre a Patagônia

O jornal Folha de São Paulo trouxe nesta 5a-feira, dia 10/09/09, um caderno especial sobre a Patagônia, dando destaque para Puerto Madryn, Península Valdez, Punta Tombo e outros lugares por onde passamos.

Abaixo alguns links das reportagens:
Esquel une reservas naturais e estação de esqui em região andina
Península Valdés é importante santuário natural na Argentina
Tons de marrom da estepe patagônica colorem Chubut, na Argentina

A versão impressa está bem mais completa com várias fotos. Há uma versão mais completa online, porém, somente para assinantes. Para quebrar o galho de todos os viajantes que leem este blog, fiz o famoso Copy and Paste. Se é legal ou não eu não sei, mas como é uma informação útil e informação últil deve ser compartilhada aí vai!

Tons de marrom da estepe patagônica colorem Chubut
Ladeada pela cordilheira dos Andes, região é admirada, entre outros pontos, por sua diversificada fauna

PEDRO CARRILHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Não tão perto do “fim do mundo” como Ushuaia, e quase tão acessível quanto Bariloche, a Província de Chubut -onde o rio Chubut corre 820 km dos Andes até desaguar no Atlântico, em Rawson- é uma Patagônia argentina condensada.
A paisagem mais típica dessa parte da Patagônia Central é a estepe, com seus tons marrons e amarelados e vegetação rasteira. Mas é em seus extremos geográficos que Chubut apresenta seus grandes atrativos.
De um lado, a fauna marinha, admirada por turistas em suas praias, falésias e passeios de barco, principalmente na reserva natural da península Valdés. Do outro, a beleza da cordilheira dos Andes, além da possibilidade de esquiar na estação de La Hoya, vizinha à cidade de Esquel.
Tão presente numa viagem a Chubut quanto os dotes naturais da Província, a herança cultural dos galeses é uma referência. No final do século 19, eles cruzaram o Atlântico e fundaram cidades como Gaiman, Dolavon e Trevelin. Hoje, seus descendentes tentam manter as tradições acesas, mais visivelmente nas inúmeras casas de chá espalhadas pelas cidades da Província.
O repórter-fotográfico PEDRO CARRILHO viajou a convite do governo da Província de Chubut.

FIQUE ATENTO
Leia algumas dicas para turistas, segundo o governo local
1. Não se esqueça de levar água potável quando deixar o hotel
2. Evite causar incêndios apagando bem as bitucas de cigarro e jogando-as no lixo; lembre-se de que a vegetação pega fogo com facilidade
3. Se você alugar um carro, coloque combustível sempre que passar por um posto, pois as distâncias em Chubut são grandes
4. Mesmo nos meses de calor, leve gorro e um casaco pesado. Na Patagônia, as temperaturas costumam ser extremas: faz calor de dia e frio à noite
Fonte: Governo da Província de Chubut (www.chubut.gov.ar)

Museu em Trelew guarda até ossadas de dinossauros
As cidades mais conhecidas do vale são as pacatas Gaiman e Dolavon, fundadas por galeses no século 19

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Maior cidade da Província, mas afastada da orla, Trelew fica a 65 km de Puerto Madryn e é porta de entrada para Chubut, com seu aeroporto internacional.
A cidade em si, apesar de agradável, não tem grandes atrações. A exceção é o museu Egidio Ferruglio, mais conhecido pela sigla MEF (www.mef.org.ar/mef/), um dos mais importantes museus paleontológicos da América do Sul.
Suas salas são organizadas em ordem cronológica, das eras mais recentes até as mais remotas, com exemplares de fósseis e ossadas dos dinossauros que viveram na região.
Já no baixo vale do rio Chubut fica o parque paleontológico Bryn Gwyn. Caminhar pela trilha do parque em meio a formações geológicas é um complemento perfeito.
Mas o vale do Chubut é mais conhecido pelas pacatas cidades de Gaiman e Dolavon, fundadas por imigrantes galeses no fim do século 19. O rio Chubut foi importante para o assentamento dos pioneiros e para a agricultura e economia, sendo o único rio que quebra a aridez da estepe patagônica.
As tradições galesas são mais visíveis nas casas de chá. Uma dessas é a Ty Nain, que abriga um pequeno museu, cuidado com muito esmero por Ruben Ferrari e sua mulher.
Outra casa de chá, mais pomposa, é a Ty Te Caerdydd. Seu trunfo é a visita que a Lady Di fez em 1995. Há retratos da princesa nos salões e os objetos que ela utilizou, como xícara suja, colheres e até o resto de chá que ela não bebeu.
Além das casas de chá, outras construções fazem parte do roteiro do vale, como capelas, chácaras, um moinho de farinha (Antiguo Molino Harinero, hoje um restaurante) e a primeira casa de Gaiman, preservada e aberta aos visitantes.
(PEDRO CARRILHO)

CONTRASTE
Paisagem do parque nacional Los Alerces (www.parquesnacionales.gov.ar), área protegida fundada em 1937 na região da cordilheira dos Andes, na Província de Chubut; chega-se ao parque, que fica na fronteira com o Chile, pela cidade de Esquel

PACOTES

COM AÉREO; PREÇO POR PESSOA EM QUARTO DUPLO,
A partir de R$ 2.437
Sete noites em Puerto Madryn e el Calafate. Valor sujeito a alteração e variação do dólar. Na Agaxtur (0/xx/11/3067-0900; http://www.agaxtur.com.br), Na Tam Viagens (0/xx/11/3274-1313; http://www.tamviagens.com.br), na Marsans (0/xx/11/2163-6800; http://www.marsans.com.br), na Flot (0/xx/11/4504-4544; http://www.flot.com.br), na Nascimento (0/xx/11/3156-9944; http://www.nascimento.com.br), na Ambiental (0/xx/11/3818-4600; http://www.ambiental.tur.br), na Fenix (0/xx/11/3120-7200; http://www.fenixtur.com.br), na Soft Travel (0/xx/11/3017-9999; http://www.softtravel.com.br) e na Ancoradouro (0/xx/19/ 2137-3000).

US$ 2.500
Pacote de quatro noites no Lago Wilderness Resort, com café da manhã. Inclui locação de carro. Na Tereza Ferrari: 0/xx/11/ 3021-1699; http://www.terezaferrariviagens.com.br.

US$ 837
Sete noites na Hostería El Coiron, em Esquel, com café da manhã. Inclui seis dias de uso ilimitado dos meios de elevação e seis dias de traslados regulares ao Cerro. Na Maktour: 0/xx/11/3818-2222; http://www.maktour.com.br.

US$ 999
São quatro noites- três em Puerto Madryn e uma em Buenos Aires- com café da manhã. Inclui tour pela península Valdés. Na Venice: 0/xx/ 11/3062-4499; http://www.veniceturismo.com.br.

Personagem de Valdés toca gaita para as orcas
O argentino Roberto Bubas ficou mundialmente famoso por sua interação com os cetáceos de Chubut

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Desde cedo Roberto Bubas, 38, foi um amante da natureza. Guarda-parque (ou guarda-fauna) da península Valdés desde 1992, Bubas ficou famoso mundialmente por sua interação com as orcas da região.
Quando criança, o argentino, nascido em Esquel, tinha como ídolo o explorador francês Jacques Cousteau. Para sua decepção, o francês morreu antes que eles fossem apresentados. “Sei que ele sabia da minha existência e até que queria me conhecer”, disse Bubas à Folha.
Para quem se assusta com a proximidade que ele chega dos animais, Bubas faz questão de ressaltar que há apenas um caso de ataque de orcas a humanos registrado. E, segundo ele, não foi fatal. Bubas acredita que o ataque teria sido um erro da orca, que confundiu um surfista com um animal marinho.
É possível ver algumas cenas da interação de Bubas com as orcas em vídeos na internet. Em um deles, o guarda-parque aparece tocando gaita para elas. “São animais curiosos. Elas que buscam a interação.”
Segundo Bubas, a matança indiscriminada de lobos-marinhos no início do século 20 fez com que as orcas se aproximassem da costa em busca de alimentos, até desenvolverem sua técnica de ataque nas areias da península. A técnica, chamada de “varamiento intencional”, é exclusiva das orcas locais.
Bubas lembra com carinho do dia em que a orca Agustin (tema de um de seus seis livros publicados, “Agustin Corazonabierto”) preparou-lhe uma surpresa: “Ela se aproximou de mim com uma alga presa na nadadeira dorsal”, conta.
Na primeira tentativa, Bubas não conseguiu alcançar a alga. “Ela foi então até o fundo, voltou e deixou a alga na água, à altura do meu peito. São animais muito solidários”. Notável, a história de Bubas deve dar origem a um longa-metragem espanhol. (PEDRO CARRILHO)

Península é importante santuário natural
Na área, diversidade animal é tão imensa quanto possibilidade de observar de perto animais patagônicos

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Destino ainda pouco conhecido por brasileiros que rumam ao país vizinho, a península Valdés já é reconhecida mundialmente como um santuário natural de primeira categoria e de suma importância não apenas para o ecossistema local, mas também para a economia dessa região da Argentina.
A principal base turística para visita ao litoral chubutense é a costeira Puerto Madryn, a 60 km do aeroporto de Trelew, cidade agradável, com boas opções de hotéis e restaurantes.
Ao sul de Madryn fica o EcoCentro (www.ecocentro.org.ar), que tem como objetivo promover por meio “da educação, ciência e arte a necessidade de se pensar uma nova relação com o oceano”.
Na entrada, há um poema de Jorge Luis Borges (1899-1986) sobre o mar. No seu interior, há mostras sobre a fauna marinha. Das janelas de sua torre se admira o Golfo Novo.
Próximo do centro de Madryn, o Museu do Mar e do Homem conta a história dos primeiros habitantes e da fauna locais – com destaque para a lula-gigante.
O grande chamariz, no entanto, é a possibilidade de observar de perto a fauna marinha patagônica. E o melhor lugar para esse encontro é a enorme península Valdés, reserva declarada patrimônio natural mundial pela Unesco em 1999 e que serve de área de reprodução para diversas espécies de mamíferos marinhos.
Entre junho e dezembro, saem passeios de barco do pequeno vilarejo de Puerto Pirámides para a observação das baleias-francas-austrais, vistas em grande número.
As areias e céus da península também são frequentadas por uma variedade de espécies. Em Punta Cantor e nas falésias de Punta Delgada existem colônias de elefantes-marinhos.
Já os lobos-marinhos de Punta Norte vivem meses de angústia durante a temporada das orcas, entre setembro e abril. As famosas cenas exibidas exaustivamente em documentários sobre a vida selvagem, nas quais orcas sobem até a praia para atacar indefesos filhotes de lobos-marinhos, são exclusiva da península Valdés -em nenhuma outra parte as orcas desenvolveram tal estratégia de ataque.
Ao cruzar as longas estradas de terra em direção ao mar, a vegetação, rasteira, facilita a observação de guanacos, maras, zorros e choiques, respectivamente parentes das lhamas, lebres, raposas e avestruzes.
Chega-se à península pelo do istmo Ameghino, espremido entre dois golfos, a cerca de 65 km de Puerto Madryn, onde fica o centro de visitantes.
Mais próxima de Puerto Madryn fica a praia protegida de El Doradillo. Acordar cedo e enfrentar o vento gelado é a receita para ver as baleias à luz do amanhecer, desta vez da própria areia, ao lado de pinguins e lobos-marinhos.
Já ao sul de Madryn fica Rawson, capital da Província e cidade portuária próxima ao estuário do rio Chubut. Não há muito além do porto, seus coloridos barcos pesqueiros e a praia Union, frequentada no verão, quando as temperaturas sobem. É desse local que saem barcos para a observação dos golfinhos-de-commerson, conhecidos nessa região como “toninas”. (PEDRO CARRILHO)

Colônia de pinguins é a maior do mundo
Chegada dos animais à costa da Província de Chubut é transmitida durante 72 horas ao vivo pela internet

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CHUBUT

Bem ao sul de Chubut, chega-se à área protegida de Punta Tombo, considerada a maior colônia de pinguins-de-magalhães no mundo. Na alta temporada, entre setembro e abril, mais de um milhão das simpáticas aves tomam conta da orla.
Os pinguins da região, aliás, protagonizam uma interessante forma de “turismo digital”: desde 2006, imagens da chegada dos pinguins à costa da Província de Chubut são transmitidas durante 72 horas ininterruptas de streaming ao vivo para a internet.
A cada amanhecer e fim de tarde o céu da Patagônia também dá seu espetáculo. Sorte de quem visita a região durante os meses de inverno e pode acordar mais tarde, tomar o café da manhã tranquilo e caminhar até a orla a tempo de observar os primeiros raios de luz apenas começando a tingir o céu de tons berrantes. O pôr do sol é igualmente espetacular, acrescido de formações nebulosas desnorteantes. (PEDRO CARRILHO)

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200 anos de Charles Darwin

Hoje comemora-se o bicentenário de Charles Darwin, inglês nascido a 12 de fevereiro de 1809.

E por que estou citando ele? Apenas porque boa parte de nossa viagem foi também a sua rota em sua passagem pela América do Sul, passando pela Patagônia Argentina, Chilena e Tierra del Fuego.

Rota de Charles Darwin

Rota de Charles Darwin

Ele é homenageado até hoje no Chile e Argentina. Por exemplo, em El Chaltén, há o Cerro Fitzroy. Fitzroy foi o Capitão do navio HSM Beagle que levou consigo Charles Darwin.

Lá em Ushuaia existe o Canal Beagle, em homenagem ao navio.

Darwin passou pelo litoral brasileiro. Encantou-se com a vegetação e fauna. O que deixou ele triste foi ver a intensidade da escravidão no Brasil.

Darwin foi uma pessoa fora do seu tempo. Naquela época, mesmo sendo religioso protestante, foi ousado ao lançar a teoria do evolucionismo que até hoje, infelizmente, é ignorado e ridicularizado por muitas religiões que defendem o criacionismo.

Darwin deixou um legado importante para a história e merece o reconhecimento devido. Sua teoria é baseada em estudos e fatos reais e nada em achismos.

Feliz 200 anos Darwin!

A fauna da Patagônia

A fauna na Patagônia é riquíssima. Durante nossas viagens pelas estradas com frequência víamos animais diferentes e raros para nós brasileiros.

Nem sempre foi possível tirar fotos dos animais. Muitas vezes estavam longe e outras vezes fugiam apressados com medo de nossa presença.

Baleia Franca Austral

Baleia Franca Austral

 

Guanacos

Guanacos

Guanacos

Guanacos

 

Pinguins de Magalhães

Cavalos selvagens

Cavalos selvagens

Cavalos selvagens

Cavalos selvagens

 

Lebre da Patagônia

Flamingo

11º dia De Caleta Olivia a Rio Gallegos, Argentina

Por Alex

Logo de manhã acordamos e buscamos algum ponto wifi para acessar o notebook. Não queríamos passar o mesmo perrengue para encontar algum lugar para dormir em Rio Gallegos, nesta noite, e em Ushuaia nos 3 dias seguintes. Fizemos as reservas ligando via Skype (santo Skype) que sai muito mais barato do que ligar de qualquer “locutório”, as cabines telefônicas.

Conseguimos fazer as reservas de Ushuaia. Queríamos ficar no Freestyle Hostel, com uma bom rating no http://www.hostelworld.com. Encontramos apenas vaga para os dia 20 e 21, e no dia 19 fizemos no Hostel La Posta, também, com um bom rating.

Para Rio Gallegos acabamos não fazendo reserva por haver apenas um Hostel disponível e o resto eram hotéis. O telefone do Hostel dava como número não existente.

Para variar dissemos que iriamos sair cedo, porém, até fazer as reserva e tal, saímos tarde. Chegamos no final do dia a Rio Gallegos. Este seria o nosso último ponto de parada (dormida) antes de irmos para Ushuaia.

Ao chegar em Rio Gallegos já sentimos a forte presença de influências militares, ao chegar na cidade avistamos um aeroporto da aeronáutica e um bombardeiro pousando. Foi tão rápido que nem deu tempo de tirar as fotos. Fizemos algumas pesquisas rápidas em alguns hotéis do centro e fomos até o Hostel Sleepers Inn sem muita pretenção, já com o trauma do hotel meia boca da noite anterior. Qual foi a nossa surpresa ao conhecer o hostel. Tudo bem limpinho, quartos amplos com armário estilo fazenda. Lembra muito as pousadas do Brasil. É um lugar pequeno, deve ter a capacidade para umas 40 pessoas no máximo. Cristina (talvez a proprietária) foi super simpática e nos atendeu super bem. Arriscou algumas palavras em português. Já conhecia o Rio de Janeiro, a praia de Copacabana e tal. Fechamos o hostel em AR$ 50 por pessoa (R$ 35) com café da manhã, toalhas de banho e de cama.

Resolvemos fazer uma comidinha rápida e o chef Roberts preparou um Miojo com legumes e cebola. Ficou muito bom! Já passava das 23h e estávamos famintos. O mais incrível é que neste horário ainda estava claro lá fora. Sem sol, mas ainda claro.

Quando deu meia-noite começamos a ouvir fogos. Não demos muita importância mas os fogos não paravam. Deve ter durado uns 30 minutos. Perguntamos para a Cristina e ela nos disse que o dia 19/12 é o dia do aniversário da cidade. As pessoas vão até a praça principal para ver os fogos. Estávamos cansados, mas resolvemos conferir. Já saindo, começamos a sentir um certo vento polar, deveria estar uns 15 a 17 graus. Iríamos sair de carro, mas fomos advertidos que a cidade estaria cheia e com muito trânsito. Fomos a pé. Entramos na rua principal e uma multidão de gente caminhando, já voltando dos fogos. O que chamava a atenção era a quantidade de adolescentes. Centenas e centenas. Algo raro para quem estava só vendo idosos por Buenos Aires e Mar del Plata.

Pensamos que teria alguma coisa folclórica para se ver por causa do aniversário, mas não tinha nada. Apenas alguns tanques de guerra e só.

Resolvemos tomar uma cerveja num Pub irlandes próximo ao Hostel. Fedia muito cigarro. Não dáva para agüentar. Bebemos logo e fomos para o Hostel.

No Hostel tirei algumas dúvidas sobre qual caminho fazer em direção Ushuaia (pronuncia-se Ussuaia). Alguns diziam que teríamos que ir até Punta Arena no Chile e pegar uma balsa pelo Estreito de Magalhães. Mas um responsável pelo Hostel me passou bastante confiança dizendo que melhor caminho era descer de Rio Gallegos pela rota 3, até um ponto onde o Estreito era mais estreito. Daria uns 600 km.

Sobre Rio Gallegos

É impressionante como as pessoas são bem diferentes em Rio Gallegos. Por se ficar próximo do Chile há muitos imigrantes chilenos. Segundo o Toni afirmou, as pessoas pareciam chilenas. Pelos traços você logo percebe que 90% deles são descendentes de indígenas. Não sei se é devido a estatura média das pessoas, o pé direto das casas é bem baixo. As portas também são baixas. Há muitas casas de madeiras.

Acho que deve haver alguma influência inglesa pois a arquitetura de algumas casas lembram o bairro de Notting Hill em Londres. Muitas casas com porão e tal.

É uma cidade até que grande, mas economicamente não parece muito rica. Há poucos restaurantes bons, tudo tem um certa cara popular.

Aqui o vento e frio são constantes. Estamos no verão e faz frio a noite. As mãos, lábios e rosto ficam ressecados. Os lábio racham facilmente. Trate de usar protetores labiais para hidratar e proteger do sol e do vento.

Resumindo, para quem quiser fazer a mesma viagem, Rio Gallegos é um bom ponto de parada antes de seguir a Ushuaia. Durma bem descanse para uma viagem longa e cansativa que você terá no dia seguinte.

10º dia – Puerto Pirámides a Puerto Madryn a Punta Tombo a Comodoro Rivadavia a Caleta Olivia, Argentina

Por Toni

Acordamos tranquilos e sem pressa. Felizmente o Sol não bateu diretamente em nossas barracas aproveitando a sombra da mata nativa e a brisa gelada do atlântico que refrescava a manhã. Até agora nenhum dia de chuva ! Após arrumarmos toda a bagagem abastecemos no posto da própria cidade e enchemos o galão extra aproveitando o combustivel barato, $AR 2,04 o litro de diesel. Uma forma do governo argentino incentivar a migração para áreas pouco povoadas é subsidiando o combustível. Puerto Piramides por exemplo é uma vila de 300 habitantes com praticamente duas ruas: a que desce até a praia e a paralela a mesma. Com a paisagem cada vez mais desértica os postos de combustivéis estão ficando cada vez mais raros. Os postos se encontram praticamente somente nas entradas das cidades.

Na saída de Puerto Piramides, em frente ao Hostel, demos carona a uma espanhola muito simpática: Davinia. Mesmo com o carro lotado, colocamos sua mochila adentro e partimos a Puerto Madryn aonde ela iria rumo a Cordoba. Trocamos idéia sobre música, brasil, espanha, viagens, siesta… Esse intercambio cultural é um dos maiores presentes de toda a viagem. Por todas minhas trips até hoje sempre encontrei viajantes independentes com a mente aberta, flexíveis a novas idéias, aberto a novas culturas e super amigáveis. Almoçamos juntos e pela outra vez: Milanesa com Papas. Um beijo e um abraço bem apertado, nos despedimos e ela nos prometeu uma visita a São Paulo.

Pela primeira vez pegamos a famosa estrada de rípio para chegar na reserva de Punta Tombo. Pagamos $AR 35 pesos para ingressar no parque. Logo na entrada já fomos surpreendidos por pinguins. Surpreendente, impressionante e surreal. Ficamos em contato direto com os pinguins e os guanacos. Lado a lado diretamente em seu habitat natural. Após uma pequena caminhada chegamos ao topo da enconsta aonde podia se avistar a praia com centenas ou talvez milhares de pinguins. Apesar da exploração humana cada vez mais agressiva sob a natureza ainda existem lugares preservados e que o homem ainda não destruiu. Um detalhe do passeio foi o Kuroda tentando domesticar os pinguins fazendo carinho neles. Por vezes pegava uma pedra na mão e ficavamos com medo de que fosse atacar nelas…rs, na saída levou uma advertência de uma chica muy linda: Queres passar la mano en los pinguinos ? Kuroda: “No, no no ! He, he he !”

Na estrada o interessante é observar a mudança de paisagem gradual. A temperatura caindo com o Sol se pondo depois das 22pm, com variações gigantescas. Animais selvagens sempre cruzarão o seu caminho, ovelhas, cavalos e principalmente os guanacos estarão na beira da estrada. Lembre-se nós que invadimos o seu espaço, portanto: CEDA EL PASO e tenha muita precaução principalmente a noite. Nunca pare o caro totalmente para tirar fotos, os argentinos pisam fundo. No caminho para Puerto Pyramides o Okazaki viu um Corsa capotado. Para nossa surpresa o acidente havia ocorrido no dia anterior pelas mesmas causas citadas acima.

Hoje viajamos sem muitos planejamentos. Sem reservas e sem destino certo para ficar. Do jeito que eu gosto, viagem estilo Easy Rider. Pé na estrada e partimos rumo ao sul. Pegando a Ruta 3, as 11pm chegamos em Comodoro Rivadavia, cidade petrolifera responsavel por 30% do fornecimento de todo combustivel do país. Da estrada se podem avistar os poços de petróleo e as bombas em funcionamento. De cara a cidade não nos agradou. Entramos pelo morro, aonde ruas e becos mal iluminados não nos deram as boas vindas. Procuramos um hostel e não achamos. O que se intitulava Hostel Las Gaivotas nos queria cobrar a ignorância de mais de $AR 500 pesos (4 pessoas). Não percam tempo ! Procurando por hospedagem no centro, vasculhamos todos os hotéis e pensões e a grande maioria sem vagas ou caros.

Perguntei a um recepcionista de um hotel qual a cidade mais próxima e era Caleta Olivia. Na hora lembrei o nome recomendado por um motorista de uma excursão que conhecemos no passeio de barco no dia anterior. Paramos em um sujinho frequentado por caminhoneiros gordos e peludos e outros cabeludos e mal encarados. Como não havia cardápio aguardamos pela senhora nos atender. Concluímos que não valeria o custo benefício, comida cara e lugar sujo.

Assumi a direção e partimos a Caleta. Chegando na cidade, uma surpresa. Todas as indicações e placas nos levaram ao Hotel Robert. Em homenagem ao nosso querido Robertinho nos hospedamos por lá mesmo. Só havia um quarto para 3 pessoas disponivel, um teria que dormir no chão. Tiramos 2 ou 1. Sobrou eu e o Kuroda. TIramos par ou ímpar. Me ferrei ! Por sorte o Okazaki descobriu que havia um colchão extra sobre a cama de molas. Muito bonzinho ele colocou o colchão no chão e cedeu a cama. Com dó, Kuroda também se ofereceu e me deu seu travesseiro. Roberts também se sentiu comovido e perguntou se podia fazer algo. Camaradagem ! Dormi bem!

9º dia – Puerto Piramides na Peninsula de Valdez, Argentina

Por Alekrd

Seguindo a imendação da noite anterior, fiz parte da primeira pernadinha noturna, uns 300km, até entrar na Peninsula. Ahhh, dica aos viajantes: tomem cuidado com a estrada indo a sul depois de Sant Antonio Oeste, ela esta meio cavada e para carros altos como o nosso faz ele dar umas rabetadas, não dá pra passar dos 100km a noite… Pois bem, quebramos ali a esquerda e entramos na Peninsula. Passei o volante de ouro para o Ale e ai comecaram a aparecer as indicaçoes de animais, que mais parecia um catálogo de livro de biologia, e logo mais comecamos a ver eles em carne e osso!!! Muitos coelhos, tatus e a aclamada Llama!!! haha, o Toni vinha brincando com todos os animais que viamos dizendo que eram Llamas e ai aqui ela aparece!! Increible!! Mas não era uma autentica Llama, é uma especie parecida chamada Guanaco. Muitas fotos, seguimos para dentro da Peninsula. Ela é enorme!! Puerto Piramides que é a cidade do início da Peninsula fica logo depois do istmo esta a 80 km depois que se vira ali da ruta 3!!!

Chegamos no albergue as 4 da matina, porém os caras do albergue não nos atenderam legal, resolvemos dormir na Pajero. Acordamos todos tortos e fomos procurar um lugar pra ficar.

A cidade tem duas ruas, uma principal e outra não tão principal, e só. Perguntamos pra uma tiazinha lá dicas, e ela muito simpática nos deu não só dicas de hospedagens como dicas para dos lugares e todos. Muy amable!!

Encontramos os caras devolta no direcion turistica e decidimos passar pelo camping, pois o dinheiro começou a nos preocupar.

Fomos averiguar o camping. AR$ 10,00 pesos!! incrivel, uma olhada aqui e lá e decidimos ficar lá mesmo. Indecisão para achar o melhor lugar, e montamos a barraca.

Logo depois, fomos ver os precos das avistajes de ballenas – em espanhol argentino, se diz vagchena -. A micro cidade tem uns 3 escritorios de avistamentos, e todas cobram o mesmo preco. A indecisão bateu na hora de contratar pelo rumor de que já não se estavam avistando baleias por la devido a estaçao, que estava terminando. O ale estava decido a ir, enquanto nós, considerando-se o preço de AR$ 100,00, estavamos meio cabreros. Um cafezito ai e umas perguntas por la e decidimos ir. Fomos em um barco cheio de simpaticos velhinhos em excursão, todos argentinos, e um casal de Brasileños do RS.

Em 15 minutos, tinha um barco esperando por nós. Era um barco em um esquema meio lancha que vinha na praia seca em cima de um suporte que entrava na agua. Subimos, o suporte rebocado por um tratorzão levou agente até o mar e fomos. Sentia-se uma tensão no ar na expectativa de ver as baleias, acho que ninguem estava botando muita fé que iriamos ver alguma coisa. E a tensão aumetava. Passou-se 20 minutos e nada, 30 minutos e nada. Já se via a expressão de tristeza na velharada e ai, surpresa!! O maluco lá aponta para uma família de Ballenas.

São bichos incriveis!!! São enormes, 50 toneladas. Elas passavam debaixo do barco, ficavam do lado, levantavam a rabeta. Me senti em um programa do discovery channel!! Muitas fotos, e o ponto alto, quando a enorme mãe das baleias chegou bem do lado do barco e soltou um jato de agua em cima de toda a galera.

Ficamos no meio delas por uns 30 minutos e voltamos. O nosso prefeito Roberts voltou discursando para uma platéia de velhinhos que se amontoaram do lado dele encantados com seu portugues e a história de nossa viagem. Hahaha!!

Chegamos em terra firme, e fomos comer. Caro. O unico lugar para comer oferecia uma milanesa miadinha por AR$ 25,00, e cervejas de AR$ 10,00!!! Depois, fomos dar um role na city pra comprar souveniers e tambem planejar os próximos passos. Entre um chaveco do ale na atendente da lojinha e uns refris, decidimos sair no dia seguinte em direçao a Punta Tombo e não entrar na peninsula, pois as atrações para esse dia eram os pinguins que era melhor ver em Punta Tombo e as orcas que tinham por la, pelo que ouvimos falar, estavam dificil de ser ver.

Logo depois fomos a la playa e ela tinha quase sumido!! A maré aqui tem uma variação muito grande, a praia tinha encurtada uns 300mts, baixado em uns 10m de altura. La ficamos curtindo a paisagem impar dese lugar, mar em azul super saturado com a terra marrom ao fundo.

Passamos numa vendinha na volta pra comprar mantimentos pra queimar os knojos que trouxemos ao gosto do nosso chef Roberts. No camping, comecamos a tirar as coisas pra cozinhar, desmontar o lay-out da bagagem e tomar um banho. Os brasucas que tinhamos conhecido na avistaje a las ballenas Tiago e Glaucia chegaram e montaram a barraca la perto e compartimos nossa janta.

Jantar regado a Jack do nossos amigos, platos do Roberts e trocas de ideias sobre a trip se extendeu ai pelo por do sol as 11:00 da noite.

Banho tomado, fomos averiguar a night dessa mega city. Só tinha um barzinho aberto e paramos la pra tomar uma cerveza e tambem um drink argentino, o gancia, que ninguem curtiu muito.

Volta para o camping e noite debaixo de tendas.

8º dia – Mar del Plata à Peninsula de Valdez

Por Roberts

Seguindo rigorosamente o roteiro ajustado no dia anterior, acordamos bem cedo, cerca de 5:30 da manhã. Eu, Robert`s, resolvi, mesmo com o frio que fazia em Mar Del Plata, tomar um belo e demorado banho. Afinal de contas, não saberia quando iria ter novamente esse luxo, rs.

Saímos de Mar Del Plata muito mais tarde do planejado, mas valeu a pena. Logo de manhã, quando fomos tomar café no Hotel, encontramos com a simpática Senhora que conhecemos e fizemos amizade no dia anterior. Pessoa muito amável e educada nos desejou sorte e boa viagem e, nós, em contra partida, a presenteamos com um cafézinho tipicamente brasileiro.

Agora sim, seguindo o planejado, viagem, viagem e mais viagem, isto em apenas uma só reta! Acreditem, quilometros e quilometros em linha reta.

Do friozinho da manhã de Mar Del Plata só sobrou a saudades, pois, ao chegar a cidade de Bahia Blanca vimos o ponteiro dos termometros ultrapassarem a barreira dos 40º, isso mesmo, 40 graus!!! Ufa, que calor…

Procuramos um lugar para ficar em Bahia Blanca, mas como o calor que fazia naquela cidade nossa busca logo foi vencida por uma loja de conveniência de um dos postos de combustível da Petrobrás. Lugar bem agradável devido ao ar condicionado, fizemos da citada loja um verdadeiro centro de reuniões para rediscutir a rota e os caminhos. Lá encontramos uma gentil Policial, a qual praticamente passou a fazer parte integrante de nosso grupo, dando, inclusive, opiniões sobre a rota.

Devido ao insuportável calor que fazia em Bahia Blanca, decidimos partir e adiantar a viagem. Seguimos até a peculiar cidade de San Antonio Oeste para jantar e, novamente, seguir rumo ao destino dessa trip. Nesse trajeto, vale destacar a linda vista do horizonte (foto abaixo). Que lugar! Confesso, ficamos pasmos com a vista parecida com um deserto. Bom, a foto abaixo descreve a minha sensação.
Chegamos a pequena cidade de San Antonio Oeste às 10 horas da noite, e pasmem, AINDA COM SOL (é justamente o horário que escrevo esse relato, agora). Com uma fome gigantesca, fomos a procura do único restaurante da cidade. Restaurante muito agradável, comemos um pescado fantástico, que ouso dizer ser o melhor que já provei.