18º dia – De El Calafate, Argentina a Puerto Tranquilo, Chile

Por Alex

Saímos de El Calafate pensando em chegar em Coihaique no Chile. Estávamos ansiosos para pegar a famosa Carretera Austral no Chile. Mais estradas de rípio. Chegamos na aduana Argentina para carimbar nossa saída e por pouco não conseguimos fazê-lo devido ao horário. Fechava as 21h e chegamos as 20h30. Quando perguntamos ao oficial que estava na aduana o por quê das aduanas fecharem depois das 21h, e ele nos disse “Ninguém é louco de passar por estas estradas a noite.” hahaha, só a gente mesmo. Imagine um lugar totalmente inóspito. Sem SOS nas estradas de cascalho, sem cruzar com nenhum carro, sem ver nenhuma fazenda. Você apenas avista os guanacos, as ovelhas, as vacas, os cavalos selvagens e várias lebres cruzando perigosamente a estrada. Só. Se o carro quebrasse nada de socorro até o dia seguinte. Ventava tanto que seria impossível armarmos nossas barracas. São ventos de 70 a 100 km/h e muita poeira.

Nesta altura já tínhamos desistido de ir a Coihayque. Decidimos parar em Puerto Tranquilo, já pegando a Ruta 7, mas conhecida como Carretera Austral. De dia esta via já é complicada. A noite a coisa piora. Vários trechos com curvas fechadas e pista bem escorregadia por causa das pedras. A média de velocidade a noite é de 40 km/h. Com muita fome e cansados não encontramos nenhum lugar para nos hospedar Puerto Tranquilo. Ventava muito e na verdade era um povoado de umas 500 pessoas. Só se ouvia os latidos dos cães, incomodados com o barulho do motor a díesel da Pajero. Achamos um camping. Ventava demais no camping. A sorte é que havia barreiras de madeira para proteger as barracas do vento. Fizemos nosso jantar e dormimos, finalmente.

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17º dia – Em El Calafate, Argentina

Por Alex

De manhã trocamos dinheiro e fizemos as compras no supermercado, já que era dia 24/12 e as lojas fechariam mais cedo. De lá fomos para o Glaciar Perito Moreno. Em 1h mais ou menos chegamos ao Parque Nacional Los Glaciares. Pagamos os AR$ 40 ( aprox R$ 30) e fomos ver o glaciar.

O glaciar é algo impressionante. Indescritível. Enorme. Parece não ter fim. De longe parece que uma onda gigante vinha pelo rio e de repente congelou. É uma parede de gelo de 60 metros de altura e mais 180 metros debaixo da água. Além dos 12 quilometros de comprimento. Foi lá que o Presidente Lula foi a convite do presidente Kirchner para promover o turismo de brasileiros por terras argentinas. O grande espetáculo do Glaciar são as quedas das paredes de gelo. Infelizmente não vimos uma bloco grande cair, mas vimos alguns menores. Primeiro ouve-se um estrondo como se fosse um trovão. Em seguida, tem a queda do bloco. Ele afunda e depois de alguns segundo emerge da água, fazendo outro barulho.

Este glaciar é famoso porque durante o inverno o glaciar é tão grande que chega a represar a água num lago. A medida que a geleira vai derrentendo a água abre um túnel no glaciar. Esse rompimento do Glaciar Perito Moreno é motivo de notícia nacional. Neste ano foi o ano na qual o túnel se rompeu mais cedo, despertando o interesse mundial porque suspeita-se que o rompimento foi tão cedo devio ao aquecimento global. Um detalhe é que este glaciar é o único glaciar que continua crescendo no mundo.

Pela noite fizemos nossa modesta ceia de Natal. Todos um pouco meio down por estarmos longe de nossas famílias nesta data. Os italianos do Hostel eram os mais animados. Não sei se foi por causa das mais de 12 garrafas de vinho que haviam tomado e vários “Buon Natale!”

16º dia – Puerto Natales-Chile, Torres Del Paine-Chile e El Calafate-Argentina

Em seguida saímos em direção ao Parque Nacional Torres del Paine que fica a uns 70km de lá. Há 2 rotas, uma pela estrada normal e pavimentada e outra por uma estrada nova conhecida como Carretera Nueva, Fomos pela nova, seguindo a dica de um chileno que já havia morado no Brasil e estava hospedado no Hostel. Valeu a pena. O trecho é lindo. Tem vários “miradores” pela estrada ou mirantes para nós brasileiros. Quem passar pela estrada irá reparar que há árvores com os galhos e folhas pendentes apenas para um lado. São as árvores bandeiras (arbol bandera), que recebem o vento o tempo todo por uma direção e acabam se moldando ao vento. Bem interessante.

Chegado ao parque fomos, pelo pouco tempo que tínhamos, optamos por visitar 2 pontos do parque. Os icebergs que se desprenderam dos glaciares e as Torres del Paine, que é uma montanha com formações rochosas pontiagudas que lembram torres. Infelizmente o tempo estava bem chuvoso e não conseguimos avistar as Torres. Pena, e como disse um chileno que encontramos, assim é a “naturaleza”.

Para quem tem tempo Torres del Paine é uma ótima visita. Há diversas trilhas. A trilha mais famosa chama-se “W” porque o formato da trilha é um “W” e leva-se em média 4 dias. Há uma trilha mais longa chamada “A volta” que é uma volta completa pelo parque e leva-se em média 6 a 8 dias. Tô fora. É para quem gosta. E quem não tiver equipagem, em Puerto Natales é possível alugar tudo. Desde barracas, botas, gás, lampiões, etc. A cidade vive dos mochileiros.

Saímos de lá e seguimos em direção a El Calafate na Argentina. Ou seja, mais aduanas e tal. Saindo do parque fomos em direção a Cerro Castillo, última cidade chilena antes de cruzar a fronteira. Essa fronteira é bem chatinha, há muitos ônibus entrando e saindo e há muita gente. Para quem chega ao Chile de ônibus, todas a malas são revistadas.

Boa parte do caminho é de rípio (pista de cascalhos). Chega uma hora que cansa. O carro chacoalha todo. Respiramos pó o tempo todo. Abrir o vidro nem pensar. Mas nesse dia fomos presenteados com uma linda vista de um arco-íris. Brilhava muito. Nunca vímos um arco-íris com uma cor tão forte. E dava para ver o arco inteiro. Incrível.

Perto de El Calafate ventava muito. Já era noite e estrada é deserta. Acho que desde Torres Del Paine até El Calafate, uns 350km, cruzamos com apenas 4 carros. Um deserto. Não há nada. Apenas vegetação e animais silvestres.

Enfim chegamos, já bem tarde em El Calafate. Ficamos no Hostel del Glaciar. Muito bom. Boa estrutura, limpa e com Wifi. Fizemos nosso jantar e cama.