Terremoto no Chile

Não podíamos deixar de lado nosso sentimento por Chile neste momento.
Temos uma grande estima por Chile e os chilenos que nos receberam tão bem.
Conhecemos um país organizado e temos a certeza que em breve o terremoto não passará de uma história a ser lembrada.
Temos em nossa memória diversos cenários lindos, de gente muy amable e é essa imagem é que queremos que permaneça.
Como aprendemos em nossa viagem, desejamos aos chilenos “una buena onda”.
E como ouvíamos os chilenos cantarem seu grito de guerra, a este grito fazemos coro:

“Chi-Chi-Chi le-le-le Viva Chile!”

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Festival de Viña del Mar 2009

Todos os anos o Canal 13 chileno promove um festival bem famoso para a música latina, chamada Festival de Viña que acontece sempre em Viña del Mar a 100km de Santiago no Chile.

Neste ano será entre os dias 23 a 28 de fevereiro e será a 50ª versão do Festival. Contará com a presença de grandes cantores como Juanes, Simply Red e Santana.

Os ingressos vão de R$ 50 a R$ 400 aproximadamente.

Portanto, quem estiver por lá vale a pena conferir. E ainda acaba conhecendo uma cidade muito simpática. Aproveite e passe em Valparaíso que é uma cidade vizinha.

O site oficial do Festival é http://festival2009.canal13.cl

27º dia – De Santiago, Chile a Valparaíso e Viña del Mar, Chile

Antes de sairmos de Santiago conheci uma pessoa muito interessante que havia acabado de chegar ao Hostel. A simpática jornalista americana Ida Antares Becker. Ela está fazendo uma viagem ao redor do mundo durante um ano para conhecer o que as pessoas tem como sua “verdade”. Ela está desenvolvendo um projeto chamado Universal Truth Project (site www.utruthproject.org). Já viajou pela Ásia, Oriente Médio e África do Sul. Ela tem visto que quanto mais pessoas ela conhece mais ela percebe que as pessoas são iguais. Santiago foi sua primeira parada na América Latina. Para minha surpresa fui convidado a fazer uma declaração sobre minha verdade e fui parar no site dela.

De Santiago a Valparaíso, no litoral do Chile, dá aproximadamente 1 hora e meia de carro. O tempo estava excelente em Santiago mas chegando em Valparaíso estava totalmente nublado e até frio.

Valparaíso e Viña del Mar são cidades que são praticamente coladas uma na outra mas totalmente distintas. Valparaíso é antiga e Viña del Mar é moderna. Valparaíso está mais para Vila Madalena e Viña Del Mar mais para Jardins. Valparaíso é famosa pelas casas de madeira que ficam nos morros (Cerros) e coloridas. Suas ruas são bem íngremes. Lá fica uma das casas que já viveu o escritor Pablo Neruda.

Viña del Mar as casas são modernas, há diversas mansões de frente para o mar, casinos. Há um festival musical famoso que acontece todos os anos chamado Festival de Viña. Há um relógio de flores bastante conhecido na rua principal.

Acabamos ficando em Valparaíso num hostel no Bairro de Villa Maria Antonieta. Lá conhecemos a figura ímpar de Raul, um chileno que fala bastante, mas bem simpático. Conversamos de distintos assuntos, desde política, aspectos sociais, povo. Ele gosta muito do Brasil, já chegou cantando músicas brasileiras para nós. Muito engraçado.

Mais tarde fomos conhecer a noite de Valparaíso. Fomos no El Huevo. Uma mega balada com 4 andares com pista de salsa, pista eletrônica, pista de reaggeton, pista de som ao vivo, pista de som anos 80 e karaoke. Tem um terraço no topo do prédio com a visão do mar, das pistas de dança e dos morros. Lindo!

Na saída para matar a fome um Hot Dog com Guacamole, segundo Raul, “el mejor hot dog del mundo” hehehe. Calma muchacho!

26º dia – Santiago, Chile

Pegamos um tempo muito bom em Santiago. Muito quente de dia e fresco a noite.

Fomos conhecer a cidade. Lembra muito o centro de São Paulo, com prédios antigos e colados um no outro. Há diversos calçadões. Fomos direto no Paseo Ahumada. Demos uma volta por lá. Há muita gente nas ruas. Pessoas de diversas idades, diversas lojas, casas de câmbio, vendedores ambulantes de Huesillos uma bebida típica que leva pêssego e o sabor lembra muito pêssego em calda. Em toda esquina vende Huesillos.

Os cafés são engraçados. Há diversos cafés e em todos eles há mulheres com microsaias servindo cafés. Um dos mais famosos é o Haiti com dezenas de lojas. São conhecidos como Café con Piernas. E vão desde homens, mulheres e famílias. Há outros mais suspeitos com vidros escuros com atendentes usando roupas um pouco mais ousadas. Devem servir outras coisas mais além do café.

Fomos até o Cerro San Cristóbal. Lá você tem uma linda vista 360º da cidade.

Já com fome fomos até o Mercado Central, o equivalente ao Mercado Municipal de São Paulo, só que em dimensões bem menores. Não há a mesma diversidade de frutas de São Paulo, mas o lugar é simpático e vale a pena conhecer. Eu estava tirando fotos e filmando quando fui avisado para tomar cuidado com os ladrões.

Há um restaurante que domina o Mercado Central, o Donde Augusto. Lá comemos Paella e experimentamos a famosa Centolla, um mega siri pela bagatela de R$ 100 por pessoa. Caro, mas vale a pena pelo sabor e pelo show do garçom ao cortá-la.

Passamos no supermercado para algumas compras do nosso jantar e fomos pegar uma piscina no Hostel.

Conhecemos um pessoal de Floripa que prentendem fazer uma viagem de 1500 km de bike. Doidos. Estavam em 7 pessoas. Doidos porque já conhecíamos as estradas que eles pretendiam pegar. Nós de Pajero, já sofremos um bocado, fico imaginando o que será passar pelo mesmo caminho de bicicleta.

26º dia – De Pucón, Chile a Santiago, Chile

Logo cedo pegamos a estrada em direção a Santiago. No caminho passamos por Villarrica, uma cidade que leva o mesmo nome do Vulcão Villarrica.

Foi uma viagem tranquila. As estradas do Chile são excelentes. Chegamos no final da tarde e nos hospedamos no Hostel La Casa Roja, no bairro chamado Brasil. A casa é bem antiga, com portas de 3 metros da altura e pé direito de uns 4 metros. Tudo de madeira numa decoração do começo do século passado.

Santiago é uma metrópole cercada pelos Andes. Chegando próximo da cidade é possível ver a poluição no ar que até dificulta a visão dos Andes para quem está na cidade. Mas é uma cidade bonita cercada de vinícolas da Rota do Vinho.

25º dia – Reveillon em Pucón, Chile

Passar o último dia do ano escalando um vulcão já foi algo inédito em nossas vidas. Dormimos um pouco para tentar aproveitar o Reveillon de Pucón.

A Francheska, do Hostel, organizou uma mini ceia com churrasco preparado por um francês, Alexis, que mora no Chile.

Na mesa havia gente de 6 países: Brasil, Chile, França, Russia, Israel e Austrália.

Depois do jantar pegamos nossas garrafas de Champagne (um espumante na realidade) e fomos para a “praia” de Pucón. Lá houve a contagem regressiva, nos abraçamos e rimos. Toda a cidade estava lá. Não havia espaço para mais ninguém. A população se amontoava até nos telhados das casas, invadiram os hotéis da orla em busca da melhor visão dos fogos.

Nós 4 voltamos para o Hostel e capotamos. A subida ao vulcão havia exaurido nossas forças. Os demais hóspedes ainda foram para as diversas baladas que havia na cidade. A mais famosa chamada de Morena e haviam outras como a Fire. Mas dispensamos, ainda tínhamos que viajar a Santiago no dia seguinte, 700km dali.

24º dia – subida ao Vulcão Villarrica em Pucón, Chile

Nos encontramos as 7 da manhã na agência de aventuras Araucana. Para nossa surpresa, dos 12 integrantes do grupo 80% eram brasileiros. Um do México, um argentino e demais chilenos.

Recebemos nosso equipamento:

– mochila

– crampon (ganchos para se colocar nas botas para andar no gelo)

– luvas

– balaclava

– anorak contra o vento

– botas

– polainas

– proteção para fazer o “ski-bunda”

– piolet (uma espécie de machadinha)

Além disso levamos nossa equipagem pessoal:

– 2 litros de água

– sanduíches, chocolates

– roupas de frio

– calças para caminhada

– óculos de sol

– protetor solar e labial

– meias grossas

Ia levar mais agasalho, mas fui informado de que não precisaria de agasalhos pesados, o tempo estaria bom.

Fomos num caminhão que nos levou até um teleférico do vulcão, que durante o inverno funciona uma estação de ski. O teleférico fica desativado, então tivemos que caminhar.

A medida que estávamos chegando perto do vulcão íamos tendo a verdadeira dimensão do Villarrica. É enorme. Possui 2847 metros de altura.

Começamos a subir a primeira parte, que coincide com o final do teleférico. É uma parte sem neve, mas ingreme e com o terreno bem irregular. Foram uns 45 minutos até a primeira parada e já deu para sentir a dificuldade que seria para subir. O coração já dispara e você começa a sentir calor, apesar do frio e do vento. Fui com um moleton e uma camiseta por baixo e estava com calor.

Depois disso começamos a subir pela neve. Mas antes disso nosso guia nos dá as instruções: “Andar na neve pode ser perigoso. Se você escorregar, vai começar a deslizar pela neve. Por isso é muito importante não largar o piolet. Segurando com as duas mão use-o para brecar quando estiver deslizando.”

Era tudo o que todo mundo queria saber… Se a intenção era criar pânico, conseguiu.

Podemos dizer que é mais fácil caminhar na neve. Com as caminhadas formam-se escadas, o que facilita a caminhada. Mas nem tirei muito os olhos dos pés com medo de deslizar. Há horas em que você nem sente mais as pernas. Há horas que você acha que irá desmaiar. Ás vezes, uma paradinha de 10 segundos já faz muita diferença.

No total são 3 paradas de 15 minutos e alguns de 2 minutos. A medida que você caminha e olha para trás você em a verdadeira noção de quanto já caminhou. Depois de uma hora e meia caminhando já é quase impossível avistar o caminhão que viemos.

Como fazia frio e ventava muito nosso guia nos instruiu a não fazermos paradas longas porque os músculos da perna logo se esfriam fazendo a trekking ainda mais difícil.

Usamos bastante o piolet para nos apoiarmos na neve e usarmos como um terceiro braço. Há trechos em que a angulação da subida chega a 60 graus de inclinação.

Enfim, 5 horas depois chegamos ao cume do Vulcão Villarrica.

Todos que chegam lá em cima ficam extasiados. Em silêncio por alguns momentos. Talvez refletindo sobre o que acabaram de fazer. Uma sensação de conquista.

É bem alto e o visual 360º lá de cima impressiona. Você avistará outros vulcões em volta. Você avistará também os rastros de rios de lava formados em 1984 quando houve a última erupção. Infelizmente não está sendo possível avistar lava, mas há 2 anos atrás era possível. Você pode escutar as lavas. O barulho se parece com um trovão. Fiquei imaginando o barulho que o vulcão deve fazer quando está ativo. O que incomoda muito é o cheiro de enxofre que queima a garganta e olhos como se fosse gás lacrimogênio.

A descida é outra aventura. São mais ou menos 2 horas de descida. Como a descida é mais dificil devido a angulação do vulcão há uma forma mais fácil e divertida. É o famoso Ski bunda. Toda a parte de neve que subimos é possível descer deslizando. Mochila nas costas e piolet nas mãos e começamos a deslizar. A sensação é de estar num Bobsled. Em alguns momentos é bem rápido e chegamos a sair do chão. O segredo para ir rápido é deixar as pernas juntas e no ar. No final você fica com neve até naquele lugar e os pés cheios de água. A descida pela parte de terra é mais complicada. Descemos por uma parte de terra fofa e íngreme fazendo a descida penosa também.

Ficamos esgotados. Os músculos fatigados e doloridos. Mas a sensação é muito boa. Não dá para acreditar que subimos aquilo tudo. Valeu muito a pena.

Video promocional de um DVD que estava no hostel. Acabei ripando e jogando no Youtube.