25º dia – Reveillon em Pucón, Chile

Passar o último dia do ano escalando um vulcão já foi algo inédito em nossas vidas. Dormimos um pouco para tentar aproveitar o Reveillon de Pucón.

A Francheska, do Hostel, organizou uma mini ceia com churrasco preparado por um francês, Alexis, que mora no Chile.

Na mesa havia gente de 6 países: Brasil, Chile, França, Russia, Israel e Austrália.

Depois do jantar pegamos nossas garrafas de Champagne (um espumante na realidade) e fomos para a “praia” de Pucón. Lá houve a contagem regressiva, nos abraçamos e rimos. Toda a cidade estava lá. Não havia espaço para mais ninguém. A população se amontoava até nos telhados das casas, invadiram os hotéis da orla em busca da melhor visão dos fogos.

Nós 4 voltamos para o Hostel e capotamos. A subida ao vulcão havia exaurido nossas forças. Os demais hóspedes ainda foram para as diversas baladas que havia na cidade. A mais famosa chamada de Morena e haviam outras como a Fire. Mas dispensamos, ainda tínhamos que viajar a Santiago no dia seguinte, 700km dali.

24º dia – subida ao Vulcão Villarrica em Pucón, Chile

Nos encontramos as 7 da manhã na agência de aventuras Araucana. Para nossa surpresa, dos 12 integrantes do grupo 80% eram brasileiros. Um do México, um argentino e demais chilenos.

Recebemos nosso equipamento:

– mochila

– crampon (ganchos para se colocar nas botas para andar no gelo)

– luvas

– balaclava

– anorak contra o vento

– botas

– polainas

– proteção para fazer o “ski-bunda”

– piolet (uma espécie de machadinha)

Além disso levamos nossa equipagem pessoal:

– 2 litros de água

– sanduíches, chocolates

– roupas de frio

– calças para caminhada

– óculos de sol

– protetor solar e labial

– meias grossas

Ia levar mais agasalho, mas fui informado de que não precisaria de agasalhos pesados, o tempo estaria bom.

Fomos num caminhão que nos levou até um teleférico do vulcão, que durante o inverno funciona uma estação de ski. O teleférico fica desativado, então tivemos que caminhar.

A medida que estávamos chegando perto do vulcão íamos tendo a verdadeira dimensão do Villarrica. É enorme. Possui 2847 metros de altura.

Começamos a subir a primeira parte, que coincide com o final do teleférico. É uma parte sem neve, mas ingreme e com o terreno bem irregular. Foram uns 45 minutos até a primeira parada e já deu para sentir a dificuldade que seria para subir. O coração já dispara e você começa a sentir calor, apesar do frio e do vento. Fui com um moleton e uma camiseta por baixo e estava com calor.

Depois disso começamos a subir pela neve. Mas antes disso nosso guia nos dá as instruções: “Andar na neve pode ser perigoso. Se você escorregar, vai começar a deslizar pela neve. Por isso é muito importante não largar o piolet. Segurando com as duas mão use-o para brecar quando estiver deslizando.”

Era tudo o que todo mundo queria saber… Se a intenção era criar pânico, conseguiu.

Podemos dizer que é mais fácil caminhar na neve. Com as caminhadas formam-se escadas, o que facilita a caminhada. Mas nem tirei muito os olhos dos pés com medo de deslizar. Há horas em que você nem sente mais as pernas. Há horas que você acha que irá desmaiar. Ás vezes, uma paradinha de 10 segundos já faz muita diferença.

No total são 3 paradas de 15 minutos e alguns de 2 minutos. A medida que você caminha e olha para trás você em a verdadeira noção de quanto já caminhou. Depois de uma hora e meia caminhando já é quase impossível avistar o caminhão que viemos.

Como fazia frio e ventava muito nosso guia nos instruiu a não fazermos paradas longas porque os músculos da perna logo se esfriam fazendo a trekking ainda mais difícil.

Usamos bastante o piolet para nos apoiarmos na neve e usarmos como um terceiro braço. Há trechos em que a angulação da subida chega a 60 graus de inclinação.

Enfim, 5 horas depois chegamos ao cume do Vulcão Villarrica.

Todos que chegam lá em cima ficam extasiados. Em silêncio por alguns momentos. Talvez refletindo sobre o que acabaram de fazer. Uma sensação de conquista.

É bem alto e o visual 360º lá de cima impressiona. Você avistará outros vulcões em volta. Você avistará também os rastros de rios de lava formados em 1984 quando houve a última erupção. Infelizmente não está sendo possível avistar lava, mas há 2 anos atrás era possível. Você pode escutar as lavas. O barulho se parece com um trovão. Fiquei imaginando o barulho que o vulcão deve fazer quando está ativo. O que incomoda muito é o cheiro de enxofre que queima a garganta e olhos como se fosse gás lacrimogênio.

A descida é outra aventura. São mais ou menos 2 horas de descida. Como a descida é mais dificil devido a angulação do vulcão há uma forma mais fácil e divertida. É o famoso Ski bunda. Toda a parte de neve que subimos é possível descer deslizando. Mochila nas costas e piolet nas mãos e começamos a deslizar. A sensação é de estar num Bobsled. Em alguns momentos é bem rápido e chegamos a sair do chão. O segredo para ir rápido é deixar as pernas juntas e no ar. No final você fica com neve até naquele lugar e os pés cheios de água. A descida pela parte de terra é mais complicada. Descemos por uma parte de terra fofa e íngreme fazendo a descida penosa também.

Ficamos esgotados. Os músculos fatigados e doloridos. Mas a sensação é muito boa. Não dá para acreditar que subimos aquilo tudo. Valeu muito a pena.

Video promocional de um DVD que estava no hostel. Acabei ripando e jogando no Youtube.

23º dia – Em Pucon, Chile

Este dia foi um dia para descanso. Fomos conhecer melhor a cidade. É uma cidade que vive do turismo. Todas as fachadas são de madeira dando um ar bem simpático a cidade.

Fomos conhecer a orla da cidade, onde há um lago chamado Villarica. Há uma praia também.

A noite fomos com um casal de australianos para as Termas Los Posones. As termas ficam a 40 minutos de Pucón. As águas chegam a 45º C dependendo do local da terma. As águas são aquecidas naturalmente. Para quem for é bom levar comidas e bebidas porque os locais são desprovidos de estrutura. A noite, leve uma lanterna. As termas ficam abertas até as 4 da manhã e depois das 8 da noite os preços são mais caros. Pagamos CLP 5 mil ou R$ 20 para entrar.

Voltamos tarde, comprometendo nosso sono para a subida ao vulcão Villarica no dia seguinte.

22º dia – De Bariloche, Argentina a Pucon, Chile

Bariloche no verão é a baixa temporada. O charme da cidade está no inverno, um dos destinos mais procurados pelos brasileiros durante o inverno. Mas mesmo assim a cidade estava cheia. Haviam dezenas de excursões de colegiais da Argentina e do Chile.

Bariloche tem um clima de Campos do Jordão, com cafés, casas de chocolate, lojas de couros e acessórios para inverno. O nome real de Bariloche é San Carlos de Bariloche. A cidade fica cercada pelos Andes e o lago Nahuel Huapi dá um brilho a cidade. A água é clarissima. Só a praia deixa a desejar. Ela é toda de rípio também, uma pena.

Tomamos um chocolate com medialunas no famoso Chocolates del Turista, uma loja enorme de doces, chocolate e café que fica na Calle Mitre, a mais agitada de lá. Aproveitei para dar um oi ao Juan, um amigo que conheci no último reveillon em Ilha Grande. Ele tem uma loja de couros bacana na Mitre. O site dele é www.nativocuero.com.

Descobrimos que Pucon fica a 355km de Bariloche. Acabamos desistindo de Puerto Montt porque teríamos que voltar algumas centenas de km e nosso calendário está ficando apertado.

A estrada de Bariloche a Pucon pela Ruta 40 é lindíssima. Vamos margeando vários rios e corredeiras. O sol estava forte e o céu bem claro. Ideal!

Mais uma aduana e estamos novamente no Chile. A partir de agora esperamos pegar estradas melhores, e menos estradas de rípio já que estamos saindo da região da Patagônia.

Chegamos a Pucón, e de longe já se avista o Vulcão Villarica com o cume cheio de neve. É bem alto com seus 2847 metros de altitude.

Ficamos no Hostel Etnico. Pequeno mas muito confortável. Fomos bem atendidos pela Francheska, muito simpática e arriscando algumas palavras em português.

A noite fui com o Ale K para um pub experimentar o famoso Pisco Sour, bebida típica chilena que vai Pisco e clara de ovo. Ficamos num pub por algum tempo e depois fomos ao famoso Pub Mamas & Tapas, o mais badalado de Pucón. Lá conhecemos uns chilenos e chilenas de Villarica, cidade vizinha. Segundo eles, preferem a noite de Pucón porque é mais agitada e tem sempre gente nova. É um pub bem grande com DJ, boa bebida e gente bonita.

A cidade é bem atraente. Aqui já está fazendo calor, 21ºC. Estamos o tempo todo de bermudas. (estou escrevendo no presente pq é a primeira vez que escrevo no mesmo dia do post – santa conexão boa do hostel). Já estávamos cansados do frio. Aqui tem vários restaurantes, lojas de souvenirs, pubs, pessoas de bicicleta. Pucon não é só famosa pelo Vulcão Villarica, mas também pelas suas dezenas de termas de águas que variam de 28º a 46ºC.

Marcamos nossa subida para o Vulcão no dia 31/12. Depois conto aqui como foi.  Serão 5 horas de subida e umas 2 horas para descer. Precinho para isso? Uns R$ 150 com aluguel de roupas especiais, botas, mochilas, ganchos, etc.

21º dia – De Puyuhuapi, Chile a Bariloche, Argentina

Tínhamos a intenção de ir Puerto Montt, visitar a prima do Ale K, só que para chegar lá teríamos que ir até Chaitén e de balsa (transbordo) até Puerto Montt.

A má notícia é que Chaitén está inabitada porque os habitantes foram evacuados devido a erupção do vulcão Chaitén em maio deste ano. A erupção na época chegou a formar 30 cm de cinzas. Ver mais aqui.

Achei um video no YouTube da erupção deste vulcão.

Tivemos que modificar nossa rota subindo pela Argentina. Então, mais uma aduana para atravessarmos. Cruzamos para Argentina por Futaleufú (cidade dos melhores raftings do mundo), Esquel (Arg), Bolsón (considerada uma cidade hippie da Argentina) e chegamos a Bariloche pela noite.

Ficamos no Hostel La Barraca, um hostel mais ou menos, mas os mais bacanas já estavam cheios. Demos uma volta pela cidade e fomos descansar.

20º dia – De Coyhaique, Chile a Puyuhuapi, Chile pela Carretera Austral

Pegamos a Carretera Austral e fomos em direção a Puyuhuapi. Este vilarejo é famoso por possuir um glaciar suspenso. É um glaciar formato no topo da montanha que é fruto da neve e da queda d’água que existe lá no topo. O visual é bonito, mas não espere muito se você já viu o Glaciar Perito Moreno. A melhor visão que se tem é de um mirante dentro de um parque. Paga-se CLP 3000 (R$ 12) para entrar. Honestamente não sei se vale a pena. Da Carretera Austral (estrada) é possível vê-la também, mas mais distante.

Seguimos viagem em direção ao vilarejo Puyuhaupi.

Se tiver mais que 500 pessoas no vilarejo é muito. A cidade cheira a lenha devido a calefação das casas de madeira. Todos páram para olhar você. Ainda mais eu que tengo los ojos cerrados.

Os vilarejos são muito curiosos. Mal nosso carro chegou nas Cabañas que iríamos nos hospedar, um senhor foi abrir o supermercado em frente que estava fechado. Fomos até uma padaria para comprar pães. Chegamos lá e estava aparentemente fechado. Mas de repente sai uma mulher de uma casa vizinha e abre a padaria. É que como o movimento é baixo ninguém fica nos estabelecimentos. Algumas casas tem ovelhas de estimação, amarradas com cordas, como se fossem cachorrinhos. Que dó!

Mais uma noite de vinho e pães…fomos dormir, ainda gripados.

19º dia – De Puerto Tranquilo, Chile a Coihayque, Chile

Por Alex

Voltamos a pegar a estrada Carretera Austral, admirando as belas paisagens que ela proporciona.

Nossa próxima parada foi em Coihayque. É um lugar ótimo para fazer uma parada. A cidade já é maior, deve ter seus 20 mil habitantes, tem um calçadão simpático com lojinhas de souvenir, tem uma praça bonita, a Plaza de las Armas.

Como todos os hostels estavam lotados (não sei porque), buscamos por Hospedajes (espécie de pensão), mas nada animadores. Acabamos achando as famosas Cabañas, que nada mais são que chalés que você aluga e tem cozinha, quartos, banheiro, calefação. Bem arrumado e pelo mesmo preço das Hospedajes. Para nós que havíamos acabado de acampar e dormir no carro, aquilo foi um paraíso.

Fizemos uma compra rápida num supermercado local, compramos vinho a preços de banana, algo como R$ 5 por 1,5lt de vinho. Fizemos nosso jantar e ficamos conversando ao lado da calefação a lenha, bebendo vinho, comendo queijo com pães. Foi nossa ceia de Natal atrasada. Foi um momento agradável relembrando as coisas boas de nossa viagem e o quanto nós já havíamos visto e feito. Ah, e o vinho foi em xícaras mesmo, sem o glamour de taças de cristal porque não tínhamos.

Estes momentos são bons para dar um reestabelecida em nossa viagem. Ficar num lugar privado é bom para tomar um bom banho, rearrumar as malas, lavar algumas roupas sujas, cortar as unhas. É o equivalente a dar um “defrag” ou desfragmentar o HD de um PC.